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Quinta-Feira, 09 de Setembro de 2010
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«A UNITA tende à divisão e ao desaparecimento» PDF Imprimir e-mail
10-Mar-2010
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No tempo da guerra, Joffre Justino era uma das vozes mais ouvidas e respeitadas da UNITA, emitindo as suas opiniões desde Portugal de onde, de resto, escrevia para o jornal Terra Angolana. Hoje, substancialmente afastado da vida do partido, faz duras críticas à gestão da direcção chefiada por Isaías Samakuva a ponto de prenunciar, nesta conversa mantida pela Internet, a divisão da UNITA «em várias unitas».


Analistas políticos defendem que, em Angola, os partidos políticos tendem a desaparecer na actual conjuntura Onde e que se enquadra a UNITA dentro dessa análise? Entre os que serão comidos pelo tempo ou entre os que deverão resistir?
A leitura que faço, desde 1995/6 e que a UNITA tende a divisão e portanto, na sua forma actual ao desaparecimento De relevar que nessa altura pedi a demissão do partido por constatar a viragem a direita que a actual direcção lhe impôs.


Não lhe parece um caminho óbvio, a extinção dos partidos políticos, mesmo daqueles de maior dimensão, como e o caso da UNITA Sem dinheiro e com um desmembramento de quadros, como poderá um partido sobreviver?
O problema central não esta na falta de dinheiro mas sim na sua viragem a direita e na falta de projecto Dai a sua tendência para a divisão.


As eleições de 2008 ditaram uma nova ordem política em Angola. Como acha que a UNITA se esta a adaptar a ela (a essa Nova Ordem)?
Ultrapassada que foi e incapaz que esta a mostrar ser de ter uma agenda autónoma a UNITA tem mostrado ter as maiores dificuldades na adaptação a esta "nova ordem" Relevo que sempre defendi que a UNITA se deverá concentrar na exigência e na defesa de eleições locais e regionais de forma a potenciar um regime democrático desde a base do sistema.


Podemos falar de uma UNITA antes e de uma outra depois das legislativas de 2008? Sente-se, por exemplo, um discurso brando e de certo modo conivente com o estado de coisas.
Existe uma UNITA de antes do Congresso de 2004 e outra do depois deste Congresso. Há, de facto, uma tendência para o amolecimento.


Tem a UNITA força suficiente para fazer mais do que tem feito?
Não, não tem.


Esta fuga de quadros é real ou aparente?
Real e tende a aumentar até a fragmentação em mais que uma UNITA.


Por que razão quadros que, no passado de guerra, ajudaram a galvanizar o partido estão, hoje, relegados a um profundo ostracismo, como parece ser o seu caso?
A UNITA de hoje não tem liderança, tem uma elite que a domina para sobreviver à custa dela e daí a incapacidade de se relacionar com quem não pretende viver à custa da UNITA. Por outro lado a UNITA virou à direita o que tem afastado muitos quadros, tal como aconteceu comigo.


Já agora, o que pensa da actual direcção e da forma como ela gere o partido?
A actual direcção da UNITA não tem estratégia, vive de momentos e de tácticas tendo perdido a visão do povo que representava.


Como caracteriza o momento actual na UNITA?
De generalizado desastre.


O que ela vive, hoje, decorre do facto de ter perdido a guerra ou de uma capacidade de liderança que se esfumou com a morte de Jonas Savimbi?
A derrota militar desmoralizou mas a incapacidade da liderança está a destruir.


Há quem defenda a necessidade de uma refundação da UNITA, com novos símbolos e, também, com ideais refrescados. O que pensa a respeito?
Como já o disse muitas vezes a UNITA tem de se recentrar à esquerda, na esquerda democratiza e tem de se aliar com outras forças gerando um novo partido político e tem de encontrar uma nova liderança.


Fonte: A Capital, 10 de Março de 2010
 
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