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Seis milhões de desempregados é a consequência mais grave que fica da recessão nos Estados Unidos | Seis milhões de desempregados é a consequência mais grave que fica da recessão nos Estados Unidos |
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| 05-Mar-2010 | |
![]() O valor impressiona pela dimensão. Mas é menos dramático do que o Reino Unido teve que despender. Enquanto as perdas norte-americanas correspondem a 26 por cento do seu Produto Interno Bruto, os 2,4 biliões de dólares que o Tesouro britânico viu fugirem-lhe das mãos equivalem à totalidade da riqueza que o país produz em ano de cruzeiro. O sistema financeiro que tem na City o seu epicentro estava muito exposto aos "produtos tóxicos" norte-americanos, mas foi mesmo nos Estados Unidos que a crise rebentou. Quando a "bolha" de preços no imobiliário explodiu e os donos das casas deixaram de pagar as mensalidades dos empréstimos que tinham subscrito. A falência do banco de investimento Lehman Brothers, em Setembro de 2008, é geralmente apontada como o marco histórico que assinala a entrada no túnel negro da crise (ver caixa). Mas a origem dos problemas não aconteceu aí. Começou alguns anos antes. Em 2006, quando o preço das casas, nos Estados Unidos, entrou em queda livre, após uma década em que se tinha valorizado 125 por cento. Num quadro em que muitas famílias tinham deixado de pagar as prestações do crédito, os bancos deixaram de ter suporte para os valores em dívida, porque no mercado os imóveis valiam menos do que a hipoteca. O sistema caiu como um baralho de cartas e estendeu-se ao sistema financeiro global que, de um modo ou de outro, tinha também absorvido o risco deste tipo de produtos. Os EUA recordam agora os números que corporizam a dimensão da crise. Em primeiro lugar, o drama do desemprego com todas as consequências sociais inerentes. Desde que a crise eclodiu foram destruídos cerca de seis milhões de postos de trabalho na maior economia do mundo. A taxa de desemprego ultrapassou os 10 por cento e dificilmente se afastará, este ano, deste valor. Também desde finais de 2008, mais de uma centena de bancos faliram nos EUA. A grande razia aconteceu entre as instituições de média ou pequena dimensão. Entre os grandes, apenas o Lehman Brothers e o Washington Mutual ficaram pelo caminho. A Casa Branca não deixou cair os gigantes (Bank of America e Citibank, por exemplo, que sofreram significativas injecções de capital), que poderiam gerar um risco sistémico para todo o sector. Os danos colaterais só não foram mais graves porque a administrações Bush e Obama fizeram aprovar planos de apoio e estímulo económico de cerca de um bilião de dólares. Parte substancial deste dinheiro foi utilizada para comprar os "activos tóxicos" que contaminavam os balanços dos bancos e para evitar que o sector automóvel desaparecesse nos Estados Unidos. Na bolsa, foi o descalabro. Entre o início do Verão de 2008 e Março de 2009, o índice Dow Jones, da bolsa de Nova Iorque, recuou para metade do seu valor. José Manuel Rocha |
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