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Quinta-Feira, 09 de Setembro de 2010
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Morreu a cantora cabo-verdiana Hermínia d’Antónia de Sal PDF Imprimir e-mail
08-Fev-2010
Uma das mais importantes vozes da música cabo-verdiana, a cantora Hermínia d’Antónia de Sal, morreu na noite passada, na ilha do Sal, aos 65 anos, vítima de doença prolongada.

Em menos de um ano, a cultura cabo-verdiana perdeu sete grandes nomes, cinco deles na música - Lela Violão (Maio de 2009), Manel d’Novas (Setembro de 2009), Codé di Dona (6 de Janeiro deste ano), Vadú (13 de Janeiro) e agora Hermínia. Outros dos nomes da cultura do país estavam ligados à Literatura - os poetas, escritores e ensaístas Mário Fonseca (Setembro de 2009) e Luís Romano (23 de Janeiro deste ano).

Hermínia d’Antónia de Sal, como era conhecida no país, começou a cantar desde criança, mas gravou o seu primeiro disco apenas há 12 anos. “A minha mãe tocava violão e cavaquinho e ensinou-me a cantar e também a tocar. Adorava cantar mornas, coladeiras, que eram as músicas que a minha mãe me ensinava”, contou a artista à agência Lusa, em 2008.

Prima de Cesária Évora, e nascida na ilha de São Vicente, Hermínia foi viver para casa de uma tia na ilha do Sal aos 12 anos, após a morte da mãe. Mas foi em São Vicente, aos 33 anos, que teve oportunidade de mostrar a sua voz ao país, ao gravar uma morna nos estúdios da Rádio Nacional em Mindelo.

“Gravámos uma morna que se chama ‘Cavol’. A partir daí, começaram a convidar-me para cantar em vários lugares, nos restaurantes, nas noites cabo-verdianas. Cesária Évora ia cantar no Hotel Porto Grande (na altura o maior do Mindelo) e chamou-me para fazer a primeira parte do espectáculo”, relembrou na entrevista à Lusa.

Hermínia soube, meses depois, que a sua vida ia mudar, quando o músico cabo-verdiano Vasco Martins foi a casa dela dizer-lhe que um francês tinha gravado o espectáculo e queria fazer um disco.

“Fiquei surpresa, porque eu nem sabia que eles estavam a gravar”, afirmou, lembrando que, depois, foram quatro meses de gravação para o primeiro CD, com mornas tradicionais e algumas que Vasco Martins compôs. Depois, o produtor levou-a a vários palcos do mundo, principalmente festivais.

Anos mais tarde, gravou o seu segundo CD, no qual relembrou as músicas antigas que a mãe lhe ensinava. Desde então, cantou em vários países, como Portugal, França, Holanda, Itália, Bélgica, Espanha, Costa do Marfim e Senegal.


Fonte: Público, 8 de Fevereiro de 2010

 
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