| Benguela não vai produzir mais cana-de-açúcar |
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| 05-Fev-2010 | |
![]() Está praticamente arrumada a possibilidade da província de Benguela voltar a produzir e abastecer o país com açúcar. Outrora um gigante na sua produção, a província já não dispõe de condições territoriais para o seu fabrico. Revelando o seu parecer na qualidade de técnico e director provincial da agricultura e desenvolvimento rural, Abrantes Carlos explica que esse é o seu diagnóstico fruto da actual realidade. Do ponto de vista climático, diz que as condições outrora apresentadas não se alteraram, mas o clima é um falso assunto quando se fala na reactivação em grande escala deste tipo específico de plantações. A maior dificuldade reside na falta de espaços para plantar a cana-de-açúcar, matéria-prima indispensável para a abertura de novas fábricas ou a reactivação das açucareiras 4 de Fevereiro no Dombe Grande e 1.º de Maio na Catumbela. Contas feitas, para a viabilidade financeira de uma fábrica nesta região do país, seria indispensável haver módulos de vinte a cinquenta mil hectares. Com a explosão demográfica, explica o director do Minader, a província, deixou de ter condições territoriais para esse tipo de cultura. "Hoje Benguela teria condições para plantações mais pequenas que não excedessem os cinco mil hectares". Lembra o interlocutor que a alternativa seriam culturas como o girassol, rícino e getrofa que a província já produziu em tempos idos e serviriam para a produção de combustível. O Engenheiro agrónomo sustenta a sua posição com estudos que indicam a inviabilidade económica e financeira para este tipo de projecto. Ao contrário do que se fazia antigamente, em que cada açucareira precisava de apenas três a seis mil hectares. Com a elevada densidade populacional por quilómetro quadrado, o Dombe-Grande não dispõe de extensas áreas sem encontrar um camponês com a sua lavra para o sustento da família e igual cenário apresenta o resto do interior da província. "A manter-se a pretensão de avançar para a reactivação das açucareiras, seria obrigatório desencadear um processo de reassentamento das populações", cenário prontamente desaconselhado pelo titular da pasta da agricultura, para quem Benguela tem a sua especificidade agro-industrial virada para os citrinos, ananás e soja, que não necessitam mais do que cinco mil hectares. Recorrendo a exemplos colhidos de países como África do Sul e Brasil, Abrantes Carlos sugere a especialização do país por zonas, distribuindo as culturas em função dos estudos que analisam o solo, o clima e a tradição da população. Adverte ser necessário acabar com o pensamento de que só Benguela pode produzir açúcar. “Se Malanje, Kuando Kubango e Cunene têm maiores áreas de terra disponíveis, porquê não deslocar a plantação da cana-de-açúcar para estas províncias? Até porque, à excepção do Cunene, não seria necessário nas outras regiões recorrer constantemente ao sistema de rega", explica. Fonte: Novo Jornal, 5 Fevereiro de 2010 |
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