| Custos e benefícios das infra-estruturas |
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| 04-Fev-2010 | ||||
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![]() Os pronunciamentos de jogadores e aficionados, que, desde o dia 10 de
Janeiro, conviveram connosco, têm sido de satisfação e enaltecimento
pelo trabalho feito que tornou este evento num sucesso sob o ponto de
vista de acomodação, estádios e relacionamento para com os visitantes. Terminado o CAN-2010, a questão que se tem levantado tem sido a seguinte: que aproveitamento se vai retirar dos estádios construídos de raiz e outros tantos de apoio? A resposta a esta questão é, com certeza, um tanto ou quanto difícil, mas nada impossível. Sem dúvida que o desejo de todos vai no sentido de se subtrair o máximo de rendimento destas infra-estruturas desportivas. Afinal, e não seja só por isso, canalizaram-se esforços financeiros consideráveis para que quem testemunhou as edificações que serviram o CAN-2010 pudesse sublinhar: "Sim senhor, valeu a pena". Vai daí, praticantes e ex-praticantes famosos do futebol africano, dirigentes da FIFA, CAF, turistas e jornalistas não poupassem esforços no regozijo pelo nível de preparação e até organizacional de mais uma reunião da bola continental africana. O que esteve na base do sucesso de bilheteira? Qualidade futebolística proporcionada por bons executantes africanos? Qualidade do estádio, com lugares confortáveis e individualizados? Balneários modernos e acessíveis a todos? Serviço de restaurante no estádio? Enfim... Provavelmente, todas estas razões serviram de motivação para "empurrar" tanta gente para o "11 de Novembro" e aos demais, ou seja, ao Estádio Nacional de Ombaka, Chiazi e Tundavala. Como continuar a manter as bancadas dos novos campos preenchidas, após o CAN, isto; na eventualidade de serem eleitos para acolher também partidas do Girabola, a prova maior do futebol doméstico? Não deixa de ser uma matéria inquietante a julgar pela "sorte" em que ficaram mergulhados os pavilhões multiusos que serviram para o Afrobasket. Pouco ou nada se explora desportivamente tais infra-estruturas. Recordamos que comentaristas da bola ao cesto apelavam para a massificação da modalidade, na perspectiva do seu maior uso. Hoje, o que é feito dos pavilhões do Huambo, Benguela e Huíla? Se, a este nível, os custos foram altos e os benefícios nem por isso, o mesmo não se quer repetir com os nossos luxuosos estádios e com os campos que sofreram obras de beneficiação. Quanto aos benefícios, digamos, pretende-se que não fiquem pelo CAN, mas que se repitam por longos e felizes anos desportivos. E o que se deve fazer para que os benefícios se mantenham altos? Anima, por exemplo, a notícia sobre o renascimento do clube Nacional de Benguela, de Pedro Garcia, Luvambo e Akwá. Motivados pelo facto de voltarem a possuir um estádio requalificado, com obras de reabilitação que consistiram na construção de novos balneários para futebolistas e árbitros, remodelação do relvado, das bancadas, vedação e iluminação, os "nacionalistas" querem agora mostrar trabalho como forma de honrar o gesto estatal. Numa terra de grande tradição no futebol, deplora-se o facto de nesta altura não possuir uma equipa no Girabola, perante um quadro de apetrecho notável. É evidente que, para a simbiose custo/benefício, Benguela terá de fazer esforços redobrados por não possuir uma equipa na alta competição nacional. Mas as infra-estruturas lá estão: um estádio novo e outros reabilitados. Em relação à Huíla e Cabinda, as preocupações podem ser diferentes das de Benguela. Pelo menos possuem equipas no Girabola. As duas cidades têm igual número de clubes que disputarão o campeonato nacional, o primeiro após CAN. Está o "Girabola" à porta, os níveis de contratação, pensamos, vão definir os de qualidade competitiva e, se assim for, os estádios não se livrarão das enchentes. Importa sublinhar que a manutenção dos estádios modernos e modernizados é determinante. O empenho tem de ser de todos para que os investimentos feitos sejam rentabilizados. Além do Girabola, que se espera seja igualmente disputado nos novos estádios, e de convir que comecemos a preparar-nos não só para acolher futuramente um mundial de futebol a nível dos sub-17 ou sub-20. Tudo em aberto, rumo ao desenvolvimento futebolístico que tem de passar a ser visto com mais abnegação e vontade de fazer mesmo. Nunca é por demais falar da reactivação dos campeonatos infanto-juvenis, da criação de mais escolas de futebol de acesso de quem o desejar. Seria de bom grado começar-se já para que os resultados também possam chegar cedo. Temos potencial humano para que possamos caminhar para frente. Recordamos ainda que a antiga geração dos "Caçulinhas da Bola" criou estrelas que dignificaram o país. O ex-capitão dos Palancas Negras, o deputado Akwá, foi produto desta iniciativa que projectou para o mercado futebolístico muitos craques. A comunicação social deve continuar a exercer o seu papel, não apenas no encorajamento de tais iniciativas, como acompanhar as actividades em prol de uma massificação integrada do futebol nacional. A sobrevivência dos novos estádios e outras infra-estruturas desportivas também passa pelo valor contributivo dos órgãos jornalísticos, pois tal é o poder do chamado "quarto poder”. É necessário que os agentes desportivos criem motivações e sintam que efectivamente as suas contribuições em prol do futebol estejam a ser vistas e valorizadas. Esta valorização seria melhor suportada com a componente material, criando incentivos. Pensámos ainda ser fulcral que se pense seriamente num encontro alargado, sob a égide da FAF, para analisar as questões ligadas ao futebol e as saídas para um quadro de soluções mais condizentes com a realidade actual do futebol mundial. |
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