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Quinta-Feira, 09 de Setembro de 2010
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Centro de Oncologia abre a radioterapia PDF Imprimir e-mail
04-Fev-2010
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Nos próximos meses, o Centro Nacional de Oncologia (CNO) vai passar a poder realizar mamografias e tratamentos de radioterapia. O anúncio foi feito pelo director pedagógico e científico, António Tavares, durante uma entrevista ao Jornal de Angola, a propósito do Dia Mundial de Combate ao Cancro, que hoje se assinala.

Especialista em radioterapia, António Tavares disse que estão a ser montados dois aparelhos fixos e três carros móveis específicos para a realização do exame de mamografia e os equipamentos para a prestação do serviço de radioterapia.

Actualmente, os exames de mamografia apenas podem ser realizados em clínicas privadas e os pacientes necessitados de radioterapia têm de se deslocar ao estrangeiro, concretamente a Portugal e África do Sul para se tratarem.

“Aqueles que não têm condições para suportar economicamente o tratamento vão através da Junta Nacional de Saúde. Nós emitimos um relatório e a Junta envia-o para esses países”. Segundo o especialista, 80 por cento dos pacientes oncológicos necessitam de fazer este tratamento.


Cancro é multifactorial


Há pessoas que nascem com predisposição para desenvolver cancro, explica António Tavares. Noutros casos, a origem é hereditária. “Não quer dizer que as pessoas que têm um familiar com cancro vão também ter a doença. Mas têm maior probabilidade do que outras”.

No entanto, há factores externos, como determinados hábitos alimentares, que também propiciam o desenvolvimento do cancro, à semelhança do que acontece com o tabagismo ou o consumo excessivo de bebidas alcoólicas. “Enfim, o cancro é uma doença multifactorial”, disse.

Numa outra perspectiva, esclarece que a doença consiste num crescimento anormal de células que deixam de exercer a sua verdadeira função e invadem determinado órgão do corpo. “Por exemplo, nós temos as células da pele que se renovam todos os dias. Aliás, todo o nosso corpo é constituído por células. Se uma das células perder a função que tem de rejuvenescer a pele, por se apanhar excesso de sol ou por outros motivos, deixa de exercer a sua função protectora e ‘maligniza-se’. Ou seja, multiplica-se e invade a estrutura da pele, dando origem ao cancro da pele”.

Na fase inicial, ainda com menos de um centímetro, o cancro é tratado de forma cirúrgica. António Tavares explica que, se for detectado nesta fase, não é necessário amputar qualquer órgão, como, por exemplo, a mama. “A cirurgia é feita apenas na região onde foi detectado, com margem de segurança”. Mas se for detectado numa altura em que já tem ramificações, faz-se um tratamento combinado: cirurgia e, depois, quimioterapia”.

Naqueles casos em que o tumor é descoberto já com quatro centímetros, a paciente começa por ser submetida ao tratamento de quimioterapia, para reduzir o tamanho do tumor, e depois à cirurgia, procurando manter-se o aspecto estético da mama.

As pacientes com cancro em estado avançado, como aquele em que aparecem na sua maioria, segundo o radioterapeuta, fazem também o tratamento de quimioterapia. Mas, dependendo do resultado, pode-se fazer uma cirurgia localizada ou retirar a mama completamente. Apesar de todos os procedimentos, acrescenta, se as células se multiplicaram e houver disseminação noutras partes do corpo, a paciente deve fazer novamente o tratamento de quimioterapia. Caso a doença persista, recomenda-se o tratamento de radioterapia.

António Tavares refere que os pacientes com cancro em estado avançado recebem apenas um tratamento profiláctico, para que tenham uma esperança de vida maior. Por essa razão, se apela à população para que esteja atenta aos sinais de manifestação da doença. “Quanto mais cedo diagnosticarmos, maior será a possibilidade de cura e a esperança de vida”.

Actualmente, no mundo, já não se morre, necessariamente, na sequência de uma doença cancerígena. “As pessoas morrem, principalmente, de hipertensão, diabetes e de outras doenças que surgem em consequência do cancro”.

António Tavares alerta que o surgimento de uma ferida em qualquer parte do corpo, que, depois de sucessivos tratamentos, não cura, deve constituir motivo de preocupação e o doente deve consultar um médico para averiguar a sua natureza.


Ferida é motivo de preocupação

“Pode ser um cancro que está a manifestar-se ou dever-se ao facto dessa pessoa estar deprimida”. O CNO é a instituição vocacionada para o despiste e tratamento de doentes com cancro, mas também desenvolve acções de sensibilização para a prevenção e combate da doença a partir da sua fase inicial.

Para que este objectivo seja alcançado, o Centro criou núcleos em todas as capitais de província para disseminar a informação a nível local, através de palestras e distribuição de panfletos e boletins informativos. Além disso, os núcleos captam os pacientes com doenças cancerígenas e encaminhando-os para o CNO.

Segundo António Tavares, a tarefa destas estruturas provinciais, que funcionam nos hospitais principais, é limitada, por falta de condições para fazer o diagnóstico clínico e laboratorial. Além do esforço do CNO no combate à doença, o director científico diz ser necessário que as pessoas se previnam, adquirindo hábitos saudáveis, como não fumar, diminuir o consumo de bebidas alcoólicas, de comidas ricas em gorduras e de carne vermelha, praticar exercício físico e evitar o sedentarismo.

“Se cumprirmos estas recomendações, diminuímos o número de pessoas com cancro e outras doenças, e aumentamos a nossa qualidade e esperança de vida”, disse António Tavares, do Centro Nacional de Oncologia, a única instituição em Angola que atende casos do foro oncológico.


Fonte: Jornal de Angola, 4 de Fevereiro de 2010
 
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