| Diz lá rapaz, tu! |
|
|
|
| 04-Fev-2010 | |
![]() Nos nossos dias pode ser apenas uma questão de educação, pode ser… ou, como agora se fala na perda de valores e no nivelamento nas relações interpessoais, quem sabe… estamos todos iguais. Seja como for, choca-me ainda, e devo ser arcaico, ouvir um radialista ou jornalista tratar o seu interlocutor por tu (tipo rapaz). A rádio foi sempre um lugar de linguagem cuidada e de boa educação, já deu mais prazer ouvir rádio em Angola. Agora, além do berreiro que por aí anda a encher as ondas, temos também exemplos claros de má educação. Definitivamente a comunicação social angolana foi invadida por “extraterrestres”, ou então, e sendo ela um importante espelho desta sociedade, devemos dizer que o país não está bem. A educação escolar está falida e a das famílias então…. Estava eu a ouvir um programa de uma rádio de Luanda, era um fórum de quarta-feira, com intervenção telefónica dos ouvintes, falava-se do CAN, e não é que o fulano que conduzia o programa desatou a tratar tudo por tu? Fiquei chocado. Será que ele conhece e convive com toda aquela gente, são todos das mesmas “sentadas?” Da mesma laia? O radialista é bem-educado? Será apenas um sinal da sua falta de respeito pelos ouvintes? Caiu-nos de onde aquela figura? Enfim, de repente as nossas rádios perderam gente com “chá” e passaram a dar o microfone a artistas que sabem tudo, mesmo cometendo inúmeros erros técnicos, de tal forma que alguns programas, em vez de direccionados aos ouvintes, parecem mais uma sentada numa janela aberta de bairro com piadas de mau gosto, com conversas intermináveis sobre o Sporting e Benfica. Antigamente acertava-se o relógio pela hora da rádio e ouvia-se bom português, aprendia-se como pronunciar as palavras. Hoje eles gritam, eles falam de si, como estando alguém a conduzir um programa sobre tabagismo e dizer, achando-se com graça, que fuma, esquecendo-se que pode haver crianças a ouvir e que pode tratar-se de crianças que sonham ser como o senhor da rádio. Mas o tal fórum da tal rádio de Luanda e as tais conversas de amigos da mesma rádio de Luanda não são tudo, há casos, noutras rádios também, de entrevistas em que o jornalista se dirige ao interlocutor por tu, ou por mamã… há casos em que o repórter utiliza a expressão “ya”, independentemente de estar a falar com um jovem de dez anos ou com uma mulher de cinquenta anos. Há quem não saiba separar a “xungaria” das suas relações do profissionalismo exigido ao microfone. Já ouvi um radialista a ralhar com toda a gente dos bairros, depois de uma chuvada em Luanda, por não estar a trabalhar… morasse ele em certos sítios. O que deveria ter feito aquela inteligência, era uma reportagem sobre o caos em que se torna a vida das pessoas cada vez que chove nesta cidade. A rádio está mesmo a perder o encanto, agora até repetem com todo o despudor que “vamos ouvir agora o senhor direitor e depois vamos ir direitamente ao corridor…” José Kaliengue |
| < Artigo anterior | Artigo seguinte > |
|---|
| Tudo o que precisa de saber sobre a actualidade de Angola. |
| Os destaques do dia. |
| A melhor informação online. |
| Somos um Portal de informação credível e apolítico. |
| Isenção, verdade e sensatez é o nosso lema. |
| Defendemos a verdade e os factos. |
| Somos apartidários e isentos. |
| Participe e envie os seus artigos. |
| Subscreva a nossa Newsletter e receba gratuitamente a nossa melhor selecção de informação. |