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Quinta-Feira, 09 de Setembro de 2010
Vinte tesouros em perigo PDF Imprimir e-mail
29-Jan-2010
Índice de artigos
Vinte tesouros em perigo
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De dois em dois anos, a World Monuments Fund (WMF), uma organização sem fins lucrativos com sede em Nova Iorque e criada em 1965, lança um apelo global para a protecção do património cultural, na forma de uma lista negra.

Nas outras sete edições, optou por um número redondo (cem casos), mas desta vez esse limite não foi alcançado. Todavia, o facto de a World Monuments Watch 2010 seleccionar apenas 93 obras humanas não significa que possamos baixar a guarda. Podiam ter sido 150 ou 200.

Existe uma relação com a filosofia semelhante da lista do Património da Humanidade em Perigo da Unesco, formado por 31 monumentos e zonas naturais considerados Património da Humanidade e que são igualmente vítimas de uma degradação alarmante. Em Junho, o organismo da ONU tomou uma decisão sem precedentes: retirou o título de Património da Humanidade ao Vale do Elba, em Dresden (Alemanha), onde as autoridades ignoraram as advertências e continuarem a erguer uma ponte na paisagem protegida. Trata-se de uma penalização exemplar e, talvez, o primeiro aviso de uma nova linha de actuação.

A lista da Unesco e a da WMF complementam-se, na opinião de muitos especialistas, embora alguns sublinhem que a vantagem da fundação é ser 100% privada e, por conseguinte, completamente independente.

A World Monuments Watch 2010 acolhe "doentes” quase terminais, como as mansões de madeira haitianas que estão a cair aos pedaços, mas nem todos se encontram em estado tão grave: por vezes, precisam apenas de alguns para evitar males maiores. Nas páginas que se seguem, escolhemos 20 cidades, templos, jazidas arqueológicas e outros expoentes significativos do último inventário da WMF, a sociedade protectora da nossa herança universal.


Terraços de arroz (Filipinas)
A “oitava maravilha do mundo”: os filipinos recorrem ao lema para destacar os cultivos que enfeitam e pintam de verde-esmeralda as montanhas no centro da ilha de Louzon. Haverá quem discorde, mas a verdade é que o sistema agrícola desenvolvido pelo povo ifugao há 2000 anos continua a funcionar e a causar assombro. Dizem que, se os terraços fossem colocados na horizontal, um a seguir ao outro, dariam meia volta ao mundo. Infelizmente, a emigração está a roubar as mãos necessárias para a sua preservação.


Mosteiro de Phajoding (Butão)
O isolamento já não é o que era. Quando Phajo Drugim Zhigpo viajou do sul do Tibete para as remotas montanhas do Butão, a fim de difundir os preceitos da seita budista Drukpa Kagyud e fundar um centro espiritual, em 1224, talvez pensasse que tinha criado uma ilha de paz para séculos infindos. E assim foi até há poucos anos. Hoje este complexo religioso suspenso a 3640 metros de altitude figura no mapa de cada vez mais trekkers e excursionistas dos Himalaias. Longe de dissuadi-los, as três horas de caminhada que têm de percorrer desde Timbu, a capital do Butão, são um factor aliciante. A integridade dos dez templos e a das casas de meditação do mosteiro está em risco, para não falar da reclusão dos lamas.


Igrejas de Arica Parinacota (Chile)

Em meados do século XVI, os missionários espanhóis aventuraram-se pelo Planalto chileno para converter a população indígena que habitava o acidentado e árido território. Em vez de construírem templos imponentes para maior glória do catolicismo triunfante, como acontecera noutras zonas da América, os evangelizadores adaptaram-se aos costumes locais, aproveitando o que tinham à mão: madeira, palha, pedra e adobe. De facto, as cerca de 30 igrejas que sobreviveram até hoje mal se distinguem das humildes casas que as rodeiam. O desenvolvimento da cidade portuária de Arica também implicou o êxodo dos meios rurais onde foram erguidos esses exemplares do que se tornou conhecido como "estilo mestiço-andino".


Casas de pão de gengibre (Haiti)
Na década de 1950, quando o Haiti ainda não se transformara na maior bolsa de pobreza da América, os turistas norte-americanos baptizaram com este curioso nome (gingerbread, em inglês) as mansões de madeira construídas entre finais do século XIX e 1925. Trata-se de uma alusão à rica decoração e ao aspecto de bolo gigante. Erguidas em Port au-Prince, a capital, representam o desconjuntado testemunho de uma época de prosperidade que parece irremediavelmente perdida.


Petroglifos de Diamer-Basha (Paquistão)
Por enquanto, as autoridades paquistanesas não desistem da intenção de construir uma barragem monumental neste local lendário, outrora atravessado por numerosos ramais da Rota da Seda. Mercadores, peregrinos, conquistadores e diversas correntes civilizadoras percorreram, ao longo dos séculos, o vale do rio Indo, onde está previsto erguer a maior represa de betão do planeta. Além de 31 povoações, ficarão submersas 5000 inscrições e 50 mil gravuras esculpidas em escarpas, paredes e rochas, entre o Mesolítico (há dez mil anos) e os primeiros séculos da nossa era.


Lixus (Marrocos)

As ruínas de um teatro, uma fábrica de garum (condimento elaborado com base em restos de peixe) e uma basílica, assim como vários pisos cobertos de mosaicos, são testemunho de que, a escassos quilómetros da actual Larache, se estendeu uma próspera cidade nos tempos do Império Romano. Foram os fenícios os primeiros a colonizar este lugar caracterizado pelo bulício comercial. No ano 42, o imperador Cláudio atribuiu-lhe a categoria de colónia, o que intensificou a actividade económica e o ritmo de construção. Após um progressivo declínio, Lixus foi abandonada no século VII.



 
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