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Quinta-Feira, 09 de Setembro de 2010
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Homem moderno, o da fraca figura PDF Imprimir e-mail
28-Jan-2010
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Um paleoantropólogo australiano comparou os desempenhos físicos do ser humano nos últimos 30 mil anos: nunca foram tão fracos como hoje.

Apareceram uns 30 mil anos antes de tempo. Se os homens e as mulheres do Neandertal tivessem participado fosse nos primeiros Jogos Olímpicos da Grécia, em 776 antes de Cristo, fosse nos modernos de Pequim, no ano passado, o homem moderno não teria tido a mais pequena hipótese.

Tudo se teria decidido entre Neandertais. Hoje, ninguém lhes chega aos calcanhares em matéria de capacidades físicas. É, pelo menos, essa a conclusão do australiano Peter McAllister, arqueólogo e paleoantropólogo de Perth, que reuniu dados históricos, estudos de fósseis e observações etnológicas, num livro intitulado «Manthropology: the Secret Science of Modern Male Inadequacy [«Antropologia do Homem: a Ciência Secreta da Fraqueza do Homem Moderno» ].

McAllister investiga os desempenhos físicos da humanidade desde o aparecimento do «Homo sapiens» e considera que, nesse plano, o homem actual faz fraca figura em relação aos seus antepassados.

O paleoantropólogo baseia se, por exemplo, nas marcas fossilizadas de pés deixadas por aborígenes em solos argilosos da Austrália durante uma caçada, há quase 20 mil anos: seis homens perseguem um animal a grande velocidade. Após ter analisado estas marcas, McAllister afirma que estes caçadores deviam deslocar-se a 37 km/h.

A título de comparação, Usain Bolt, detentor do recorde mundial, corre os 100 metros a 42 km/h. «Se estes caçadores nativos se treinassem nas condições actuais, com sapatos especiais e correndo numa pista de atletismo com revestimento sintético, poderiam facilmente atingir os 45 km/h», declara o investigador.

McAllister detecta igualmente este tipo de superioridade desportiva nos antigos tutsis do Ruanda. Fotografias tiradas por antropólogos há uma centena de anos, em cerimónias rituais, mostram que alguns eram capazes de saltar até 2,52 metros de altura, o que hoje seria um recorde mundial.

Alguns dados sobre civilizações antigas revelam igualmente que os homens de então conseguiam desempenhos desportivos notáveis. Os soldados romanos percorriam todos os dias uma distância equivalente a uma maratona e meia, com um equipamento que correspondia a metade do seu peso. Mas os maratonistas de hoje não seriam os únicos a fazer fraca figura diante dos seus antecessores remotos.

As modernas equipas de remo seriam trucidadas pelos 30 mil remadores que Atenas utilizava nos seus navios. E os aborígenes, não contentes em serem excelentes corredores, teriam sido igualmente lançadores de dardo sem par, capazes de projectar a lança a 110 metros de distância.

Mas o que mais fascina McAllister são as aptidões desportivas dos Neandertais. «As mulheres do Neandertal possuíam uma massa muscular cerca de 10 por cento superior à dos homens europeus de hoje. Dotadas de braços sensivelmente mais curtos, com um treino adaptado, teriam podido bater Arnold Schwarzenegger num braço-de-ferro, mesmo durante o esplendor dele», afirma o antropólogo.

Bence Viola, do Instituto Antropológico da Universidade de Viena, é da mesma opinião. «Sabemos que os primeiros caçadores recolectores eram muito mais musculados que os homens de hoje. Vê se isso nos seus esqueletos, incrivelmente robustos», explica Viola, que dirige os trabalhos na jazida paleolítica mais conhecida da Áustria, em Willendorf, não longe do Danúbio.

O homem do Neandertal terá tido, contudo, um antepassado ainda mais possante, o «Homo heidelbergensis». Com 120 quilos, é a esperança dos seus tetranetos de tetranetos de tetranetos aficionados da musculação. «A massa óssea e muscular do homem adapta-se às cargas que tem de suportar, um pouco como sucede com o braço de um jogador de ténis», explica Viola.

Nem tudo é, infelizmente, apenas uma questão de treino. Existem também factores climáticos que determinam nomeadamente o comprimento dos membros. Uma regra de ouro determina que os membros dos habitantes das regiões quentes sejam mais finos e longos do que os dos povos das zonas frias, porque têm necessidade de perder muito mais calor. A evidência desta lei natural é constatável pela comparação dos longos membros dos massai [Quénia], dos tutsis [Ruanda] e de povos da Etiópia com os inuits [esquimós].

McAllister localiza a decadência do homem moderno no início da Revolução Industrial. Mas Viola diz que a perda óssea e muscular é muito mais antiga e data da sedentarização do homem e do abandono da caça. «Os nossos ossos longos eram já mais frágeis na sequência da Revolução Neolítica, porque a agricultura necessitava de menos capacidades que a caça.» Sem contar que a força física, hoje, já não é sexualmente tão estimulante. «As possibilidades de acasalamento já não dependem das nossas qualidades de caçador, mas dos nossos salários. Ora hoje ganha-se mais a trabalhar num escritório do que na construção civil», conclui Viola.


Fonte: Courier Internacional, Janeiro de 2010
 
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